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uma
enorme redoma não mais de vidro
mas de paredes e janelas
e o vento frio aguarda em uma praça ampla
com um único carro e muito asfalto
que separa um prédio do outro
janelas fechadas e escuras
a
sombra tenta circunavegar o teto
um retângulo oblíquo e a cozinha escura
os pingentes se cansaram e descansam em uma gaveta
a água repousa protetora guardando a oração
um silêncio nobre e antigo passeia pé ante
pé
de um cômodo ao outro
e observa a geladeira
que ainda trabalha a esta hora
uma
única lâmpada acesa
aponta seus dois gomos
para a mesa baixa e sólida
que sente o frio das lajotas com seus amplos pés
cansada de apoiar pés preguiçosos
a boca estreita e espantada do telefone
esconde pontos de luz
e deixa escorrer um único fio encaracolado do
seu cabelo
que se alisa disparando em busca da energia
que se esconde atrás de furos na parede
o
pequeno olho da porta é vazado
e vacila entre o que observar
se os movimentos dos nativos ou o dos alienígenas
os apetrechos eletrônicos formam um bloco maciço
com pequenos olhos vermelhos
que me esnobam com sua alta tecnologia
meus
óculos observam se meus olhos se cansaram
bocejam e me lembram que já é bem tarde
acham que é tempo de se recolherem
ao conforto noturno do seu leito
Abílio
Terra Junior
31/01/2005
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