ORFEU,
EURÍDICE, A MORTE DE
ORFEU E HEURTEBISE
"A
Morte do Poeta tem que se
sacrificar para que ele se
torne imortal."
(Do filme "Orfeu",
dirigido por Jean Cocteau)
Nos caminhos mínimos
contra o vendaval, eu retorno
sobre meus passos, guiado
por Heurtebise, que é
comandado pela "Minha
Morte". O que foi, não
é mais.
A Morte e Heurtebise são
presos, julgados pela Corte.
Não podem mentir.
De onde vêm as ordens?
Ninguém sabe.
Orfeu e Eurídice voltam
ao tempo e ao espaço,
eles morreram e não
morreram. A "A Morte
de Orfeu" se enamorou
dele, e Heurtebise por Eurídice,
mas tudo acabou, o tempo voltou,
tudo voltou.
Todos os poetas erraram, eles
odeiam Orfeu porque ele é
popular.
Atravessando o espelho, Orfeu
conhece a "Sua Morte".
Ela o observa à noite,
ela o ama. Orfeu a ama e ama
Eurídice.
Ele ouve as palavras do poeta
que morreu, pelo rádio.
Orfeu diz que cada frase que
ouve é maior que todos
os seus poemas.
Porque temer o vazio? Esse
vazio antes do poema, confie
nos deuses, nas musas.
As Bacantes destroem Orfeu,
elas são muito poderosas,
elas gostam de Eurídice.
Os outros poetas não
entendem que o poeta morto
foi levado pela "Sua
Morte" e acusam Orfeu
e provocam a sua morte, enquanto
os ajudantes da Morte em suas
motocicletas atropelam Eurídice
(depois de atropelarem e matarem
o outro poeta).
Não há tempo
ou espaço no outro
Reino (o da Princesa, que
é também a "Morte
de Orfeu").
Há mortes velhas e
novas, diz ela, e são
muitos os guardiões,
tantos quanto os sussurros
do vento ou as folhas por
ele levadas.
Os olhos de Eurídice
e os de Orfeu se encontram
através do espelho
retrovisor do carro e Eurídice
desaparece no mesmo instante!
Orfeu diz a Heurtebise: -
eu cantei a morte tantas vezes,
mas não a conhecia
– enquanto olha, emocionado,
para o corpo inanimado de
Eurídice que jaz sobre
a cama.
Coloque as luvas, Heurtebise
diz a Orfeu, e você
atravessará o espelho
como se ele fosse água.
A prisão aqui é
pior ainda! A "Morte
de Orfeu" e Heurtebise
são levados pelos guardiões
e vemos as suas sombras desaparecerem
na curva.
Filme " Orfeu" (Orphée),
direção: Jean
Cocteau. Com Jean Marais,
Maria Casares, François
Perier, Juliette Greco.
Sugestão: leiam o poema
"O Nascimento do Poeta",
no eBook "De Passagem...Deslizes",
no endereço www.hotbook.com.br/poe01atj.htm
, que trata desse mesmo tema.
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