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FALANDO
ATÉ DE CINEMA!
Um grupo de crianças
drusas lembra-se com detalhes
da sua última reencarnação
e é capaz de identificar
os seus parentes de então,
o local onde morava, as circunstâncias
da sua morte, muitas vezes
violenta, ocorrida no decorrer
da luta armada no Líbano.
É bom assinalar, para
melhor compreensão
do que se relatou, que, na
milenar cultura drusa, a rencarnação
é aceita com a maior
naturalidade, e, tanto os
jovens quanto os idosos, aceitam
com tranqüila sabedoria
o fato de que reencarnarão,
ao fim do atual período
de vida nesse mundo.
Os chineses dedicam o sétimo
mês lunar aos "fantasmas",
ou melhor dizendo, àquelas
almas desajustadas no mundo
de lá, as chamadas
por nós de "almas
penadas", que, por uma
razão ou outra, não
encontraram "o seu lugar"
no outro mundo.
E os seus sacerdotes taoístas,
no início desse mês,
"abrem as portas"
que ligam uma dimensão
à outra, através
dos seus rituais, para que,
no decorrer desse mês
haja um saudável intercâmbio
entre essas almas insaciáveis
e os chamados "vivos".
Assim, oferendas são
preparadas com esmero para
satisfazê-las e para
que elas não se disponham
a perseguir os que ainda se
acham em sua carcaça
mortal. Verdadeiros banquetes
são preparados, carros
em modelos de papel, que dizem
ficar quase tão caros
quanto os carros efetivos,
de motor e metal, e até
notas são confeccionadas
para que as almas desesperadas
possam subornar os seus torturadores,
pois os chineses acreditam
que assim como se pensa "aqui"
se pensa "lá",
do outro lado.
Um sacerdote dá vida
ao rei dos tais "espíritos
irascíveis", que,
na verdade, é uma deusa
que decidiu assumir aquela
"forma ou função",
com o fim de impedir que esses
nossos "irmãos
do outro mundo" resolvam
prejudicar alguém durante
a sua permanência nesse
nosso plano físico,
e, para isso, ela assume essa
postura mais autoritária,
que seria a do "rei dos
demônios", no sentido
já descrito; ele "tudo
sabe e tudo pode".
Ao fim desse período,
um novo ritual é executado,
utilizando o fogo, assim como
o primeiro, pois as "almas
sedentas" do fogo vieram
e ao fogo retornam, agora
já apaziguadas.
A sabedoria oriental demonstra,
mais uma vez, o quanto pode
nos ensinar quanto ao "tráfego
entre os vivos e os mortos."
Enquanto o meu computador
passa por uma "recauchutagem",
escrevo no papel sobre as
crianças drusas que
reencarnaram, sobre o costume
chinês de apaziguar
as "almas penadas"
e... sobre cinema.
A sétima arte, típica
do século XX, está
mais atuante do que nunca.
Festivais são realizados,
a todo o momento, em diversas
cidades brasileiras, e em
diversos países do
mundo. A tão badalada
"indústria hollywoodiana"
movimenta bilhões de
dólares e, segundo
Assunção Hernandes,
"a defensora do cinema
nacional", em entrevista
concedida à "Revista
de Cinema" no. 30, de
outubro de 2002, (site www.revistadecinema.com.br
), lança nada mais
nada menos do que seiscentas
cópias em nossas atuais
"salas de exibição"
(que substituíram os
antigos cinemas), sufocando,
literalmente, não apenas
o cinema nacional, como também
o cinema de diversos outros
países, que, muitas
vezes, nos trariam filmes
de excelente qualidade, mas
que, infelizmente, não
conseguem chegar ao nosso
público. E todos nós
perdemos com isto! Deixamos
de entrar em contato com outras
ricas culturas, e, ainda por
cima, somos "intoxicados"
por um tipo de cinema voltado,
exclusivamente, para o que
"o mercado pode render",
e, em nome desse falso ídolo
tudo é permitido. E
a cultura? A cultura... que
se lixe!
Só para citar exemplos
bem recentes, filmes como
"Casamento Grego"
(que, inclusive, obrigou os
grandes produtores a reavaliarem
a sua política de escolha
de filmes, dando bem mais
atenção aos
chamados "filmes independentes",
realizados com baixo orçamento
e elevada criatividade, em
flagrante contraste com os
filmes "made in Hollywood"),
dirigido por Joel Zwick e
"Fale com Ela",
dirigido por Pedro Almodóvar,
que estão fazendo muito
sucesso, nos mostram filmes
que desbancam acintosamente
os padrões das "grandes
produções"
à caça de bilheterias!
Cineastas como Wim Wenders,
que praticam (ou praticaram)
o genuíno "cinema
de autor", com muito
talento e criatividade, dizem,
claramente, que preferem produzir
um filme com baixo orçamento,
mas que tenham total liberdade
de ação e pleno
domínio da sua direção,
do que se submeterem aos ditames
dos grandes produtores, em
troca de um filme de orçamento
elevado!
E os exemplos são inúmeros!
Quantos grandes diretores,
ao deixarem os seus países
de origem e imigrarem para
os EUA, se tornaram, muitas
vezes, apenas mais um entre
diversos outros diretores
submetidos aos padrões
pré-estabelecidos dos
grandes magnatas que dominam,
com imenso poder, a indústria
do cinema naquele país.
Houve alguns casos interessantes,
em que um ou outro deles decidiu
retornar ao seu país
e dirigir à sua maneira,
e, então, refloresceram
em toda a sua pujança
inovadora! O assunto não
está esgotado, voltarei
a ele em outras ocasiões.
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