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E
Naquele Momento
E naquele momento me deparei
com representantes de um mundo
oculto que estava presente
nos meandros da minha mente.
Eles me alimentaram antigas
esperanças há
muito adormecidas e me falaram
de fórmulas mágicas,
de curas e de um mundo que
freqüentei quando jovem.
Eram misteriosos e me esperavam
junto à minha família,
na minha antiga casa, com
os seus papéis timbrados
com símbolos antigos.
Abençoaram os meus
livros. Saí com minha
filha, que demonstrou interesse
e retornei com os papéis
assinados por mim.
Eles diziam que é falso
se imaginar um mundo em que
tudo é perfeito, mas
que é preciso aceitar
o mundo real, com suas imperfeições,
sutilezas e desigualdades,
e procurar viver da melhor
maneira possível neste
mundo, aceitando todos esses
desníveis, choques
e contrastes. Eu acabara de
retornar de um relacionamento
que durou tempos com uma bela
mulher, em que nos amamos
intensamente, vivendo momentos
de emoção, sentimento
e de conflitos intensos, em
que o amor vencera. Agora,
me deparava com a "outra
face da moeda", me voltaria
para o meu mundo interior,
onde também viveria
conflitos, dúvidas
e revelações.
Seria outro tipo de aprendizado,
mas que teria muito a ver
com o anterior, por mais paradoxal
que pareça. Seriam
formas diferentes de se buscar
o mesmo fim: o autoconhecimento.
O "conhece-te a ti mesmo",
afixado lá no antigo
templo de Delfos.
Eram homens pacientes e aparentemente
comuns. Com aquelas poucas
palavras trouxeram-me do meu
mundo contemplativo, idealista
e utópico para outro,
em que a verdade se esconde
nas entrelinhas, a condenação
não é inexorável,
as aparências nos enganam,
as trevas e a luz não
estão separadas, vida
e morte são contíguas
e se dão as mãos,
a mulher é um mistério
a ser desvendado, no fundo
do abismo há uma passagem
misteriosa e inovadora, ação
e meditação
se complementam, a imaginação
é a grande via de acesso
à criação,
o voltar-se para si mesmo
impede que se seja engolido
pela voragem da insensatez,
do culto ao corpo, do modismo,
do recurso fácil ao
agrado da massa nivelando-se
por baixo, do apelo às
cenas contundentes dos vícios
e misérias humanas
na literatura, cinema, televisão,
pintura, música.
BH, 16/08/2004
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