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CIÚME
Consuelo havia sido criada
em uma família com
muitos irmãos, em uma
cidade do interior. A sua
família seguia os rígidos
padrões de uma religião
tradicional, com muitos problemas
graves sendo encobertos, pois
nem havia ambiente para se
falar sobre eles. Lá
pelas tantas, a família
se deslocou para uma cidade
maior, quando os irmãos
e irmãs trataram de
cursar faculdade e começar
a trabalhar.
Procópio já
pertencia à uma família
pequena, e vivera sempre na
cidade grande. A sua família
também pertencia à
uma religião tradicional,
e, não tinha por hábito
tocar em certos assuntos,
considerados tabus, passando
por cima e ignorando-os.
Um belo dia se encontraram,
daí surgiu o namoro,
noivado e o casamento. Depois,
vieram os filhos, que alegraram
bastante o seu lar. Os filhos
cresceram, Consuelo e Procópio
trabalhavam, com o tempo adquiriram
a sua casa e o tempo foi passando.
Procópio trabalhava
em uma grande empresa de consultoria
e Consuelo administrava uma
loja de cosméticos.
Consuelo era muito ciumenta,
não perdia Procópio
de vista.
Certa vez, foi buscar Procópio,
de carro, na saída
do seu trabalho. Lá
vinha ele, em um papo bastante
animado com uma loura, sua
colega de trabalho. Despediu-se
dela e entrou no carro. Consuelo
foi logo dizendo:
Quem é a sirigaita?
Que sirigaita, mulher?
Aquela loura, com cara de
mulher da vida!
Que besteira é essa?
A Sueli é uma grande
colega de trabalho, já
me prestou muitos favores.
E não tem cara de mulher
da vida!
Não, hein? E que favores
foram esses?
Ora, favores do trabalho,
é lógico? Que
outros favores poderiam ser?
Sei lá... você
é quem sabe... Agora,
que ela tem...
Chega! Vamos parar com essa
conversa, que já está
me irritando!
Consuelo fechou a cara e não
disse mais uma palavra. Procópio
até que tinha uns assuntos
para lhe falar, mas, ao observar
a expressão da mulher,
desanimou e ficou também
calado.
Essas cenas de ciúme
era freqüentes. Por qualquer
motivo, lá vinha a
Consuelo, agressiva e insegura.
Sim, pois em grande parte,
a sua insegurança era
responsável por essas
desagradáveis atitudes.
Sueli trabalhava em uma sala
próxima da sala de
Procópio, na empresa
em que eram colegas. Volta
e meia, ela passava em sua
sala, sorridente e simpática,
para conversar com ele. Às
vezes, comentava assuntos
da sua área de trabalho,
tentava esclarecer dúvidas
ou lhe dava sugestões,
ajudando-o a solucionar algum
problema. Outras vezes, comentava
sobre sua vida particular,
como, por exemplo, doenças
com os filhos, interferências
da sogra que muito a incomodavam
e dificuldades de relacionamento
com o seu marido. Procópio
trocava idéias com
ela, sugerindo soluções,
ora para os problemas no trabalho,
ora para os familiares.
A princípio, Sueli
não passava de uma
colega para ele, simpática,
agradável, mas uma
colega. Depois, com o passar
do tempo, começou a
observar que, além
da sua beleza física,
ela possuía outras
qualidades, bom senso, equilíbrio,
ponderação,
agudo senso de humor, aquelas
qualidades que, justamente,
faltavam em Consuelo.
Um belo dia, convidou Sueli
para uma ida a um restaurante.
A conversa transcorreu muito
animada, riram bastante, enfim,
se divertiram a valer.
Depois desse dia, a intimidade
aumentou entre os dois cada
vez mais, as confidências
se tornaram cada vez mais
freqüentes, o que culminou
com um relacionamento mais
íntimo entre eles.
Sueli também não
estava se sentindo realizada
em seu casamento, na verdade,
pensava, pelas atitudes do
seu marido, que ele a traia.
Com o passar do tempo, a medida
que Procópio se sentia
mais íntimo de Sueli,
mais se deteriorava o relacionamento
entre ele e Consuelo. E Consuelo
se tornava cada vez mais ciumenta,
mais irônica, mais amarga.
Chegou a um ponto em que o
relacionamento entre eles
se tornou insustentável.
Procópio colocou as
cartas na mesa, não
dava mais para continuar.
Consuelo entrou em crise,
pois não percebera
que a situação
chegara a esse ponto. Gritou,
chorou, se descabelou, passou
mal, desmaiou. Mas Procópio
já se decidira. A única
saída honesta seria
a separação,
com todas as suas inúmeras
e desagradáveis conseqüências.
E, se assim pensou, assim
o fez. Separou-se de Consuelo.
Passou algum tempo vivendo
sozinho, mas se encontrando
com Sueli, até que
esta também conseguisse
se separar. Com Sueli foi
mais difícil, pois
o marido não aceitava
a idéia da separação,
apesar de ter, realmente,
uma amante. Fez ameaças,
berrou, gesticulou, ficou
possesso. Mas Sueli não
desistiu, manteve-se firme.
E também conseguiu
se separar.
Hoje, Procópio e Sueli
constituem um casal muito
feliz.
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