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Brincadeiras
da Infância
Lá estava eu, vestido
com uma capa preta, que se
usava naquela época,
e com uma espada feita de
um ramo de arbusto aparado
enfiado em uma tampa de lata
de cera.
Morava em frente ao Colégio
Batista Mineiro, onde também
estudava, apesar de não
ser de família batista
mas católica, em sua
origem (depois, minha mãe
se tornou espírita).
Pois bem, à noite,
íamos eu e os meus
amigos para o dito colégio,
onde havia muito espaço
para correrias e lutas de
capa e espada.
Usávamos também
como espada a grande vagem
escura da grande árvore
flamboaiã (flamboyant),
que havia também nos
terrenos deste colégio.
Brincava também de
"bente-altas", em
que colocávamos três
pequenos ramos encostados
uns nos outros, que era o
alvo a ser atingido por uma
bola de meia. De cada lado,
dois meninos, um adversário
do outro. De cada vez, um
arremessava a bola de meia,
que, se derrubasse a "casinha"
feita de ramos, dava direito
a que ele e o parceiro corressem
em desabalada carreira, pisando
em uma lata amassada, que
ficava ao lado da dita "casinha".
Isto, enquanto o adversário
tentava trazer a bola de novo
à base.
Havia o "chapa-branca,
licença", que
consistia em se dizer esta
frase cada vez que se visse
um carro com chapa branca
(carro do governo, na época).
Isto dava direito ao mais
esperto, que o visse primeiro
e dissesse esta frase, dar
um chute no traseiro do amigo
que estivesse ao seu lado.
As "peladas" de
futebol eram jogadas pela
nossa turma em um lote vago,
ao lado da minha casa, com
gols improvisados com pedras
ou outro material que se estivesse
à mão.
Nadar na linda lagoa da Lagoa
Santa, era uma deliciosa brincadeira.
O meu pai tinha uma casa onde
passávamos os fins
de semana nesta pequena cidade,
próxima a Belo Horizonte.
Tínhamos também
uma pequena "casa"
de madeira(se é que
se pode chamar assim) dentro
da lagoa, onde se chegava
caminhando por um caminho
de madeira e onde havia um
portão que era fechado
quando voltávamos para
casa. Ao lado da tal "casa"
havia um "chiqueirinho",
que era o nome dado a uma
pequena piscina, também
feita de madeira. Eu tinha
uma "máscara"
de borracha com um visor de
vidro e mergulhava na lagoa,
fora do tal "chiqueirinho",
é claro, onde observava
belas paisagens e peixes em
suas profundezas.
Também andava de carro
ou de bicicleta em torno da
lagoa.
Certa vez, andando de bicicleta,
fui picado por um inseto,
que me deixou "nocaute",
tamanha a dor que senti.
As inevitáveis brincadeiras
de "médico"
também fizeram parte
da minha infância.
Eu e um amigo éramos
os médicos, que cuidávamos
com dedicação
de uma vizinha, mais velha,
por sinal, e muito interessada
no "tratamento",
e de mais umas primas do meu
amigo.
Este meu amigo, por sinal,
já "passou desta
para melhor", e lá
do outro lado, deve se lembrar
destes nossos lúdicos
tempos.
Soltava uma "raia"
(tipo de "papagaio"
de forma hexagonal"),
feita de papel e de ramos
aparados de bambú,
colados. A linha era mais
forte do que a dos "papagaios"
comuns e meu pai ia comigo
soltá-la em um pequeno
morro que havia em uma praça,
próxima da minha casa,
com a desculpa de que a tal
"raia" era muito
pesada para que eu a soltasse
sozinho.
Os outros tentavam derrubá-la,
cortando a linha com a sua,
mas eles é que acabavam
derrubados, o que era muito
divertido.
Nessa época, havia
muitos terrenos com matos,
lá onde hoje a área
é toda urbanizada,
com a avenida Cristiano Machado
e o Túnel da Lagoinha.
Subíamos em um pequeno
morro, onde havia um caminho
e depois descíamos
até um túnel
abandonado. Entrar neste túnel
era um ato de coragem. Em
certo ponto, ele estava interrompido.
Era todo escorado com madeirame.
Jogava "malha" com
meu pai e amigos comuns, no
mesmo lote vago, ao lado da
minha casa. Acabei ficando
"craque" no tal
jogo, e derrubava a madeira
com facilidade, jogando a
malha de ferro.
Lembro-me de uma foto antiga,
em que eu e este mesmo amigo
de infância estávamos
"vestidos" de índios,
com calção,
desenhos pelo corpo e arco
e flecha nas mãos,
no meio do mato deste mesmo
lote vago. Era outra brincadeira
que inventáramos.
Eh, tempo bom que não
volta mais!
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