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caminho
em um mundo de trevas
sopra um vento frio
piso em um calçamento gasto pelo tempo
e me rodeiam casarões antigos esquecidos
com janelas e portas fechadas
nada
penso nada sinto
esqueci-me de tudo
não sinto fome nem sede
poucas pessoas passam ao longe
apenas vultos com os rostos cobertos
subo
uma escada de pedras milenares acinzentadas
e penetro em um casarão assimétrico
sou atraído para um dos cômodos
e nele vejo um vulto de mulher de costas
com a cabeça coberta
ela
se vira devagar
se aproxima de mim com passos lentos
e me fita
com um olhar doce e firme
seus traços são finos
sua idade indefinida
sua
beleza pálida
transmite tristeza
e seu olhar tão profundo
que me perco nele
e
ingresso em outro universo
em que pouco a pouco começo a me recordar
de quem sou
de toda a minha vida
e
de cada poema que compus
ao som da lira que tocava
inebriando as ninfas
Abilio
Terra Junior
14/04/2005
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